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Tema: El Salvador

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Mais de um ano depois de serem expulsos dos Estados Unidos e enviados a El Salvador sob um acordo que os dois governos nunca publicaram, 11 salvadorenhos seguem sem paradeiro conhecido, e as famílias deles exigem saber onde estão detidos, segundo investigação do consórcio The Deportation Project, coordenado pela Forbidden Stories, da qual participam a RFI e o G1. Os homens chegaram a San Salvador em voos militares fretados pelo governo de Donald Trump entre março e abril de 2025, nos mesmos aviões que levaram 252 venezuelanos, todos apresentados pelos dois governos como criminosos perigosos. Foram levados ao Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), a prisão de segurança máxima construída na ofensiva de Nayib Bukele contra as gangues, e ficaram incomunicáveis, sem advogado e sem processo. Os venezuelanos voltaram para casa quatro meses depois; os salvadorenhos continuaram presos. Organizações de direitos humanos estabeleceram que 36 salvadorenhos estavam naqueles voos, e as famílias identificaram 11 deles. Os termos do acordo apareceram em setembro de 2025, quando documentos da administração Trump vieram a público numa ação coletiva movida pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e pela Democracy Forward: Washington havia concordado em pagar US$ 4,76 milhões para que El Salvador mantivesse venezuelanos e salvadorenhos no Cecot. A Human Rights Watch (HRW) encontrou registros nos Estados Unidos por crimes violentos ou potencialmente violentos para apenas 10% dos salvadorenhos. Em junho de 2026, El Salvador confirmou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que Elmer Concepción Romero Janes, um dos 11, estava incomunicável na prisão de Santa Ana, sem dizer de que era acusado, e a procuradoria entregou à família dele um certificado de que ele não tem antecedentes criminais no país. Advogados que representam nove das 11 famílias identificadas denunciaram o Estado salvadorenho por desaparecimento forçado. “O crime começa nos Estados Unidos e continua em El Salvador”, disse Kelvi Zambrano, um desses advogados. O governo de El Salvador não respondeu aos pedidos de acesso às prisões nem às perguntas do consórcio.

23 set · 00:05