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Geopolítica antes das manchetes
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Bernie Sanders e Democratas denunciam golpismo contra o Brasil

31 parlamentares democratas acusam Donald Trump de usar tarifas, sanções e vistos para empurrar a eleição de 4 de outubro de 2026 a favor de Flávio Bolsonaro e exigem de Marco Rubio um compromisso formal de respeito ao pleito até 1º de outubro. A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva diz que o jogo já começou também nas plataformas.

Em 24 de setembro de 2026, a pressão do governo de Donald Trump sobre a eleição brasileira ganhou número de protocolo. 31 parlamentares democratas do Congresso dos Estados Unidos – o senador Bernie Sanders e 30 deputados, entre eles Alexandria Ocasio-Cortez, Pramila Jayapal, Ilhan Omar, Ro Khanna e Joaquin Castro – enviaram ao secretário de Estado, Marco Rubio, uma carta que classifica as medidas de Washington contra o Brasil como “campanha contínua e multifacetada de interferência e desestabilização” e dá ao Departamento de Estado, o ministério das Relações Exteriores estadunidense, até 1º de outubro de 2026 para responder.

A iniciativa partiu da deputada Delia Ramirez, de Illinois. O primeiro turno da eleição presidencial brasileira está marcado para 4 de outubro de 2026, com as pesquisas indicando empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Jair Bolsonaro, condenado pela trama golpista que se seguiu à derrota de 2022 para Lula, cumpre prisão domiciliar, está inelegível e indicou o filho como candidato.

Sete perguntas com prazo

A carta não pede gestos. Ela formula sete exigências a Rubio: a metodologia usada para analisar pedidos de sanção contra estrangeiros, os padrões de prova que sustentaram a punição ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela Lei Magnitsky, a justificativa para designar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, a coordenação com parceiros regionais em democracia e direitos humanos, a justificativa para revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, e dois compromissos formais – respeitar o processo eleitoral brasileiro e reconhecer o resultado certificado do pleito de 2026. O relato detalhado das exigências está na emissora CNN Brasil, que publicou a íntegra do documento.

Cada item da lista corresponde a um episódio verificável dos últimos 14 meses. Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, citando como motivo o julgamento de Jair Bolsonaro no STF e ordens judiciais brasileiras contra plataformas estadunidenses, e em julho de 2026 o governo impôs mais 25% sob a lei comercial da Seção 301. Os Estados Unidos sancionaram Moraes em 30 de julho de 2025 pela Lei Magnitsky, a lei estadunidense que pune estrangeiros por violações de direitos humanos, e só o retiraram da lista em dezembro de 2025, sem explicação. Flávio Bolsonaro foi recebido por Trump na Casa Branca em maio de 2026 e pediu a designação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas; dois dias depois o Departamento de Estado anunciou a medida, segundo a [BBC News Brasil. A mesma reportagem registra o questionamento à nomeação de Darren Beattie como assessor sênior do Departamento de Estado para o Brasil.

Para os signatários, o conjunto configura uma “violação extraordinária” da soberania brasileira – e espelha um padrão regional que cita as eleições na Argentina, em Honduras e na Colômbia.

O Departamento de Estado ainda não respondeu ao mérito. Uma porta-voz disse à Folha que os Estados Unidos querem eleições livres e justas e que a escolha do presidente cabe aos brasileiros.

A Meta entrou na campanha

No mesmo 24 de setembro em que a carta circulou, a campanha de Lula recorria contra o bloqueio da sua conta de anúncios na Meta, a empresa dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp. A conta “Eleições 2026 Luiz Inácio Lula da Silva Presidente” foi desabilitada em 23 de setembro de 2026, a 11 dias do primeiro turno, e a coligação e o Partido dos Trabalhadores (PT) pediram o restabelecimento em 6 horas, alegando bloqueio unilateral e risco à paridade entre as candidaturas, segundo o Poder360. A notificação da plataforma dizia apenas que algumas atividades não seguiam as regras, sem apontar qual regra foi violada, e a restrição impedia criar novos anúncios e usar públicos segmentados, conforme o Metrópoles. A página do presidente no Facebook também foi desabilitada, e a campanha avalia acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relata a CartaCapital.

A Meta não havia explicado o bloqueio até 24 de setembro de 2026. Fato é que a assimetria provocada pela gigante da big tech estadunidense– a conta de Flávio Bolsonaro livre enquanto a de Lula está desabilitada e impedida de fazer campanha – termina por confirmar a tendência de desestabilização das eleições brasileiras por parte dos Estados Unidos, fato este, inclusive, denunciado pelo presidente Lula em seu discurso na ONU.