SAGIRE
Geopolítica antes das manchetes
·PT/EN
← Fluxo

O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, dissolveu nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, o governo de unidade nacional de transição criado pelo acordo de paz de 2018 e nomeou uma administração interina que vai conduzir o país até as primeiras eleições nacionais, marcadas para 22 de dezembro de 2026, segundo a Radio Tamazuj e a Al Jazeera.

A ordem republicana lida pela emissora estatal South Sudan Broadcasting Corporation (SSBC) afastou o primeiro vice-presidente, Riek Machar, e os quatro vice-presidentes, dissolveu a Assembleia Legislativa Nacional de Transição, o Conselho de Estados, os governos dos 10 estados e as três áreas administrativas, e manteve Kiir no cargo durante todo o período eleitoral, até a posse do presidente eleito. A dissolução veio um dia depois de o parlamento aprovar emendas à Lei Nacional de Eleições de 2012 que retiraram a exigência de concluir a constituição permanente e o censo nacional antes da votação, duas etapas previstas no acordo de 2018. A Aliança de Oposição do Sudão do Sul rejeitou as mudanças por falta de consulta entre os signatários, e analistas ouvidos pela Agence France-Presse (AFP) dizem que o arranjo concentra poderes no presidente: “Kiir será a única pessoa no poder, sem vice-presidentes, sem Executivo, sem parlamento”, disse à AFP o advogado Michael Wani, ex-integrante da comissão que redigiu a constituição. Machar, rival histórico de Kiir, segue em prisão domiciliar e responde a acusações de traição e homicídio, que nega. A Anistia Internacional chamou o decreto de “passo decisivo” rumo à primeira eleição do país desde a independência, em 2011, e pediu garantias de um ambiente seguro para votar e ser candidato.