O presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, no seu último discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que os países devem resistir ao “retorno à lei da selva” nas relações internacionais, num momento em que “a retórica da derrota abre caminho ao abuso de poder dos impérios”.
“A questão que se coloca é se queremos viver nesse estado de natureza, com uma espécie de retorno à lei da selva, ou numa sociedade internacional civilizada”, afirmou, segundo a France 24, que reproduziu o discurso com a AFP, e a DW. Sobre Gaza, Macron bateu na tribuna e disse que “as cenas, o espetáculo, são vergonhosos. Vergonha para todos nós”: “De que vale a nossa credibilidade se permanecermos inativos em Gaza? Alguns afirmam que a paz foi alcançada, mas isso não abriu as entregas humanitárias.” Ele defendeu o respeito aos “direitos legítimos” dos palestinos como “pré-requisito de segurança” para os palestinos e para Israel, e disse que “todos os que afirmam que a segurança de Israel exige a violação da soberania de todos os seus vizinhos cometem um erro fatal”. Na Ucrânia, propôs uma “dupla moratória”: a suspensão dos ataques de ambos os lados contra a infraestrutura energética e civil e um compromisso equivalente no mar Negro, que permita “liberar os embarques de grãos”. “O inverno está chegando”, disse. Ao tratar de inteligência artificial (IA), pediu que os países unam recursos para construir “um modelo de fronteira de código aberto”, sem dependência de “uma das grandes potências”: “Não quero que ninguém se torne vassalo de uma das grandes potências”, afirmou, citando Índia, Brasil, Singapura, países africanos e os Estados do Golfo como parceiros possíveis.