O venezuelano Wilber Rafael Garcés Pérez, baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Austin no domingo, contou nesta segunda-feira, por telefone, numa entrevista coletiva, que um utilitário sem identificação o fechou duas vezes antes de ele perceber que era uma abordagem, e que só então os agentes acenderam as luzes e as sirenes.
Segundo o relato publicado pelo Texas Tribune, ele pediu para parar num lugar mais seguro que o meio da via e um agente respondeu que não; em seguida sentiu um tiro nas costas. O hospital onde foi atendido disse que não removeria a bala, por estar perto da coluna, contou ele. A advogada Kristin Etter pediu nesta segunda-feira, no tribunal federal de San Antonio, a soltura dele e o bloqueio da deportação: ele não contesta a ordem de remoção, mas quer pedir um visto U, categoria de imigração para vítimas de crime. Garcés Pérez entrou nos Estados Unidos em 2024 pelo aplicativo CBP One, da agência de alfândega e fronteiras, pediu asilo e obteve permissão de trabalho, segundo a advogada Kate Lincoln-Goldfinch; ele atualizou seu endereço no tribunal de imigração, mas o aviso de audiência foi enviado a um endereço antigo e a ordem de deportação saiu sem que ele fosse notificado. O Departamento de Segurança Interna (DHS) sustenta que ele tem ordem final de remoção e está sob custódia à espera da deportação.