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Geopolítica antes das manchetes
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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, usou o seu último discurso na Assembleia Geral, nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, para pedir regulação da inteligência artificial (IA), fim das guerras e reforma das instituições multilaterais, que, segundo ele, “continuam a refletir as realidades de poder e os interesses de uma era em grande parte ultrapassada”.

“As linhas de falha do nosso mundo estão se alargando”, afirmou, citando guerras, o aumento das temperaturas e a IA, e defendeu “um mundo construído sobre a interdependência”, segundo a France 24 e o Business Day. Ele pediu que os países que lideram a revolução tecnológica “compartilhem informações sobre riscos de segurança emergentes, cooperem em testes e avaliação e trabalhem por salvaguardas comuns” e defendeu “um marco multilateral de gestão de riscos de IA, apoiado por supervisão independente e crível”. Aos superpoderes, disse que reconheçam “que o poder deles não é tão super”, e afirmou que “o poder militar sozinho não pode garantir a paz”. Sobre o Oriente Médio, pediu “desescalada e diálogo”: “O combate tem de parar. A ajuda humanitária tem de fluir. E os direitos e liberdades de navegação devem ser plenamente restaurados conforme o direito internacional.” Guterres deixa o cargo em 31 de dezembro de 2026, ao fim do segundo mandato de cinco anos, e foi aplaudido de pé ao defender a solução de dois Estados para israelenses e palestinos e ao dizer que “os poluidores devem pagar”.