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Erdogan promete buscar responsabilização por crimes em Gaza

Na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026, o presidente turco pôs Gaza no centro do discurso, cobrou pressão sobre Israel e o fim da impunidade, sem anunciar medida judicial nova.

Na tribuna da 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 22 de setembro de 2026, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, fez de Gaza o centro do discurso e prometeu que a Turquia seguirá levando a voz dos palestinos ao plenário. O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ficou fora da reunião pelo segundo ano consecutivo, depois de os Estados Unidos negarem o visto à delegação palestina.

Erdogan levou à tribuna números que apresentou como a dimensão da tragédia: mais de 74 mil palestinos mortos em três anos, a maioria mulheres e crianças, mais de 70% dos geradores dos hospitais do enclave fora de serviço por falta de combustível e mais de 1.500 mortos mesmo depois do cessar-fogo obtido com o esforço do presidente estadunidense Donald Trump e a contribuição da Turquia e de outros países.

O vocabulário do discurso foi o mais duro já usado por Erdogan na ONU sobre o tema. Ele descreveu Gaza como o maior cemitério de crianças do mundo e como o campo de concentração mais desumano e vergonhoso do nosso tempo, acusou Israel de praticar terror de Estado e de agir com uma mentalidade genocida com apetite insaciável por matar.

A cobrança

O pedido prático do discurso foi pressão. Erdogan convocou os países reunidos a exercer maior pressão sobre Israel, reiterou o apoio turco à solução de dois Estados e disse esperar o dia em que se torne realidade um Estado palestino independente, com continuidade territorial, nas fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital. Ele também advertiu contra as tentativas de desmontar a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) e pediu aos países que ainda não reconheceram a Palestina que revejam a posição.

A Cisjordânia ocupada e Jerusalém entraram no discurso como a segunda frente da mesma acusação. Erdogan afirmou que a Cisjordânia vive o pior período de violência ilegal dos colonos israelenses e criticou as autoridades israelenses por restringir o acesso de muçulmanos e cristãos aos lugares sagrados de Jerusalém.

O sistema

Erdogan ligou Gaza à reforma da ONU. Ele renovou a defesa de que o Conselho de Segurança precisa de reforma, retomando o princípio que defende há anos: o mundo é maior que cinco. Ele definiu o arranjo atual como um sistema em que a vontade de mais de 190 países fica submetida ao capricho de cinco e cobrou a aplicação igual do direito internacional a Estados fortes e fracos, com a advertência de que um sistema em que a impunidade vira norma está destinado a decair.

A impunidade como norma é o diagnóstico, e Gaza é o caso que o sustenta na tribuna.

O discurso citou ainda mais de 60 guerras e conflitos no último ano e cerca de 250 mil mortos de Gaza à Ucrânia, de Mianmar a Darfur, do Irã ao Líbano, para argumentar que a ONU cumpre cada vez menos a tarefa fundadora de preservar a paz e a segurança internacionais.

O discurso fixa o que responsabilização significa para Ancara: pressão coletiva sobre Israel e fim da impunidade como norma do sistema. Erdogan não anunciou medida judicial nova da Turquia no Tribunal Penal Internacional (TPI) nem na Corte Internacional de Justiça (CIJ). A promessa que ele registrou em Nova York é política, e o conteúdo dela cabe inteiro na frase que repetiu sobre o Conselho – o mundo é maior que cinco.

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