Em entrevista ao The New York Times publicada nesta segunda-feira, o primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, voltou a prometer o desarmamento das milícias apoiadas pelo Irã, no mesmo dia em que viajou a Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde deve se encontrar com Donald Trump à margem da reunião, segundo o porta-voz do governo, Haider al-Aboudi. O prazo de 30 de setembro é o mesmo para o fim da missão da coalizão liderada pelos Estados Unidos no país e para a entrega das armas fora do controle estatal, compromisso que al-Zaidi assumiu com Trump em julho. O próprio governo envia sinais divergentes: o assessor de segurança nacional, Qasim al-Araji, disse em agosto que a data marca a saída da coalizão e não o prazo para a entrega das armas, e o comitê encarregado do desarmamento não tem prazo definido, segundo o jornal The National. O porta-voz do comandante-em-chefe, Sabah al-Numan, afirmou à agência estatal Iraqi News Agency que 30 de setembro é “um ponto de virada estratégico” e que a partir dele “desaparece qualquer justificativa” para a ação armada fora da autoridade do Estado. Entre as facções, o quadro é igualmente dividido: Saraya al-Salam, Asaib Ahl al-Haq e Kataib Imam Ali anunciaram adesão e entregaram parte do armamento, enquanto Kataib Hezbollah, Harakat Hezbollah al-Nujaba e Kataib Sayyid al-Shuhada rejeitam o prazo, segundo o Carnegie Endowment for International Peace e o site iraquiano 964media. O Iraque já tentou concentrar as armas no Estado uma vez, depois da retirada americana de 2011, e o país mergulhou em violência sectária até o avanço do Estado Islâmico em 2014.